Entidades lançam Movimento em Defesa do SUS
27/10/2011
Passeata marca protesto em prol do Sistema Único de Saúde em São Paulo
O dia 25 de outubro foi marcado por uma inédita manifestação em prol do Sistema Único de Saúde. Médicos, enfermeiros, cirurgiões dentistas, representantes de hospitais e da sociedade civil estiveram na sede da Associação Paulista de Medicina (APM) para um café da manhã com a grande imprensa, em que debateram os principais problemas da saúde pública brasileira e marcaram o compromisso de lutar juntos por atendimento de qualidade à população.
Para marcar o ato, que contou com a execução do Hino Nacional e faz parte do Movimento Saúde e Cidadania em Defesa do SUS, o prédio da APM, na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, foi envelopado com a Bandeira do Brasil, numa composição de 15,5 x 22 metros. O objetivo é chamar a atenção da opinião pública, dos governantes e dos órgãos competentes para o grave quadro da saúde pública no país, partindo do princípio de que o acesso à assistência qualificada é um instrumento de justiça social.
O presidente eleito da APM (cuja posse oficial acontece no dia 5 de novembro), Florisval Meinão, abriu a discussão lembrando que hoje é um dia especial, em que a classe médica vai até a sociedade para esclarecer as dificuldades que encontra no SUS. Segundo Meinão, o SUS é um "jovem de vinte e três anos”, que já avançou muito, mas ainda tem muito a evoluir. "O Brasil é um país desigual. É função dos médicos, que vivem essas dificuldades no dia a dia, juntos desenvolvermos ações que efetivamente diminuam as desigualdades sociais. Discutir soluções para o SUS é discutir soluções para nossas desigualdades.”
Meinão citou ainda a existência de inúmeros projetos de lei que há anos tentam em vão melhorar o sistema. "Como consequência, há enormes filas, pessoas sem atendimento; profissionais de saúde desvalorizados. Faltam principalmente ações de financiamento para que o SUS cumpra a sua tarefa”, disse o presidente eleito, apontando que outros países investem pelo menos 10% do PIB para um atendimento parcial da população enquanto o Brasil investe 8% do PIB, sendo somente 3,5% para a saúde pública.
O apelo foi intensificado pelos representantes do Sindhosp, Dante Montagnana; Paulo Oliver, da OAB-SP; e Ruy Baumer, da Fiesp, que ressaltou que a quantidade de impostos no setor da saúde chega a 18%, entre compra e venda de equipamentos e pagamento de prestadores de serviços. "Só a diminuição desta parcela já ajudaria muito o financiamento”, comenta Baumer.
Representante da Associação dos Médicos Residentes, Alexandre Audi se mostrou preocupado com o SUS que os jovens médicos irão encontrar no futuro caso nada seja feito. "Pertenço ao grupo de médicos que vai trabalhar no SUS daqui para frente. O subfinanciamento desses últimos anos causa a bancarrota que temos hoje com problemas de atendimento e diminuição das cirurgias. Se continuar assim, o que será do Sistema em mais 20 ou 30 anos?”
Os enfermeiros e os odontólogos, representados respectivamente por Maria Angélica Giannini Guglielmi (Conselho Regional de Enfermagem) e Emil Razuk (Conselho Regional de Odontologia) também destacaram a importância da união das entidades e profissões para conseguir resultados. "Tenho certeza de que a melhoria das condições de trabalho resulta em melhor qualidade no atendimento para a população e isso só é possível conseguir unindo forças”, diz Maria Angélica, que manifestou o comprometimento para que daqui a 30 anos o SUS seja o sistema exemplar a que se propõe.
Os vereadores Jamil Murad e Gilberto Natalini se uniram em discurso semelhante, pregando o suprapartidarismo em prol de uma melhor saúde. Enquanto Murad lembrou que, sem pagar bem os profissionais, é impossível conseguir médicos preparados, isso tanto no sistema público quando na saúde suplementar. Natalini lembrou que o melhor financiamento tem sido uma batalha antiga da classe médica e que não será resolvido com um novo imposto. "Tranquem as torneiras do desperdício e da corrupção que vai sobrar dinheiro sem precisar onerar ainda mais o bolso num novo imposto.”
O deputado Ulysses Tassinari anunciou o envolvimento da Assembleia Legislativa por meio da Comissão de Saúde. "Trabalho há 50 anos e há muito tempo nas Santas Casas e a gente vê o sofrimento que passam as filantrópicas para manter suas portas abertas. Isso acontece principalmente com os pacientes de pequenos municípios, que dependem quase integralmente do SUS. Prefeitos não têm mais de onde tirar dinheiro. Deveriam investir 15% em saúde, mas investem mais de 25%.”
O ex-presidente da APM e da Associação Médica Brasileira, deputado Eleuses Paiva, destacou números do investimento, que ele entende como uma "tentativa de inviabilizar o SUS”. "Do total de 8% do PIB investido em saúde, o setor privado recebe de 4,3% a 4,5% do PIB e atende 18% da população. Enquanto isso, o resto dos brasileiros, 82% de toda população, recebe somente 3,5% do PIB”, diz Paiva, lembrando que 95% das Santas Casas e entidades filantrópicas estão em situação complicada.
Por fim, o presidente da APM, Jorge Carlos Machado Curi, destacou o papel da imprensa na promoção dos valores expostos e indicou que ação deve ter continuidade. "Vamos começar com reuniões em São Paulo, um local essencial, pois aqui reunimos ao mesmo tempo a melhor medicina e um grande desassistencialismo. Mas tenho certeza de que toda a sociedade vai se organizar”.
Após a coletiva, as lideranças se dirigiram em passeata até a Câmara Municipal, onde participaram de audiência pública.
As seguintes entidades já assinaram o manifesto:
- APM – Associação Paulista de Medicina
- AMB – Associação Médica Brasileira
- Academia de Medicina de São Paulo
- OAB-SP – Ordem dos Advogados do Brasil - Seção São Paulo
- AMB – Associação dos Magistrados Brasileiros
- FPS – Frente Parlamentar da Saúde
- Pastoral Nacional da Saúde / CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
- CMB – Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas
- FEHOSP – Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo
- ISCMSP – Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
- FIESP / COMSAÚDE – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo / Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde
- ACSP – Associação Comercial de São Paulo
- COREN-SP – Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo
- PROTESTE – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor
- IDEC - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
- SINDHOSP – Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios
- FEHOESP – Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo
- ANAHP – Associação Nacional dos Hospitais Privados
- ABCD – Associação Brasileira dos Cirurgiões Dentistas
- APCD – Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas
- CROSP – Conselho Regional de Odontologia de São Paulo
- ACT – Aliança de Controle do Tabagismo
- SESCON-SP – Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo
- Sociedade Brasileira de Cardiologia
- Sociedade Brasileira de Clínica Médica
- Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular
- Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão
- Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear
- Sociedade Brasileira de Nefrologia
- Academia Brasileira de Neurologia
- Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
- Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial
- Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem
- Sociedades de Especialidades Médicas do Estado de São Paulo
- Regionais da Associação Paulista de Medicina








