Cartão pré-pago vira alternativa para deficiências na rede pública de saúde
16/01/12
A Associação Médica Brasileira critica os médicos que se associam a esse serviço e diz que ele não garante cobertura em casos mais complexos

As deficiências da rede pública de saúde e os preços altos dos planos particulares fizeram surgir uma alternativa, no mercado.
Ele é gratuito, atende a todas as especialidades, mas não dá conta da quantidade de pacientes. Por isso, conseguir uma consulta no Sistema Único de Saúde pode demorar meses. Para mais de 40 milhões de brasileiros, a alternativa são os planos de saúde privada. Mas há muita gente que não tem condições de pagar nem as mensalidades de um plano, muito menos consultas particulares.
Diante da constatação desse vazio entre os atendimentos públicos e privados, alguns empresários enxergaram ai uma oportunidade de negócios e criaram produtos específicos para a área da saúde. Um deles funciona como um cartão pré-pago, que o cliente adquire depois de pagar uma taxa única de R$ 30. Ele carrega o cartão em um dos pontos associados. Uma farmácia, por exemplo. Depois ele escolhe um dos médicos conveniados e paga a consulta com o pré-pago e com isso consegue um desconto de até 40% em relação ao preço de uma consulta particular.
"A gente percebeu que poderia fazer um bom negócio, bom para todo mundo. O médico ganha mais, o paciente gasta menos,” explica Alexandre Pi, diretor da empresa.
Outra nova forma de pagamento está na internet. Um site vende consultas particulares por R$ 54. Pouco menos do que o valor da tabela da associação médica brasileira, que é de R$ 64. O interessado se cadastra de forma gratuita, escolhe a especialidade médica, agenda da consulta e paga para o site. Ele recebe um cupom, que apresenta depois da consulta.
Com uma dor de garganta crônica, Daniela adotou o sistema. De R$ 150, a consulta custou um terço do preço. "Eu queria mais com urgência Como estou sem convênio, é bem vantajoso”, conta a administradora de empresa Daniela Inose.
A Associação Médica Brasileira critica os médicos que se associam a esses tipos de serviço. A AMB diz que eles não garantem cobertura em casos mais complexos, como internações.
"Que é antiético. Porque os pacientes têm a falsa ilusão de que têm uma assistência à saúde integral quando na verdade eles têm apenas um atendimento medico primário que não contempla a toda a necessidade de assistência a sua saúde, explica Florisval Meinão, diretor da AMB e presidente da Associação Paulista de Medicina (APM).
A ANS - Agência Nacional de Saúde Suplementar afirmou que só fiscaliza planos de saúde - e que proíbe as operadoras de se associarem a esses cartões de desconto. O Ministério da Saúde declarou que tramita no Congresso Nacional um projeto propondo a regulamentação desse tipo de atendimento.
Jornal Nacional - Sexta-feira, 13/01/2012







